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Resenha do livro: A Vida Invisível De Eurídice Gusmão – Martha Batalha

O Facebook e suas surpresas: conheci o livro A Vida Invisível De Eurídice Gusmão por meio de uma postagem feita pela talentosa blogueira e escritora Ruth Manus em sua fanpage. Sem dizer o título, ela descreveu a sensação incômoda, bem parecida com uma ressaca, de acabar um livro que você estava amando.

Resenha do livro- A Vida Invisível De Eurídice Gusmão - Martha Batalha

Logo, como fã dos textos da autora, que também é professora de direito, corri para os comentários para saber de qual obra ela se referia. Descobri. E não deu outra. Dei um jeitinho de ler o mais rápido possível.

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Na história somos transportados para um simpático Rio de Janeiro da década de 20. Entre bondinhos e festas burguesas, conhecemos Eurídice e Guida Gusmão, duas irmãs que tiveram seus caminhos separados por conta de escolhas precipitadas. Além do sangue, o que as une são os costumes de uma época que reforçava a superioridade masculina, transformando a ala feminina em coadjuvante de sua própria biografia. Membros invisíveis da sociedade.

E é aí que a autora Martha Batalha acerta: usa várias personagens para representar de forma fiel, com um evidente longo estudo histórico, o que acontecia com essas mulheres que eram orientadas a acreditar que o único futuro possível era ser uma boa esposa.

O livro é impecável. Tem uma escrita poética, sensível e cheia de “brasilidades”. Um nível altíssimo que até então eu raramente tinha visto em uma obra nacional. Parabéns pela publicação, Companhia das Letras. Como diria Elis Regina: Mais do que nunca é preciso cantar o que é nosso. Na literatura? Também!

Nota: 4,5/5

 

 

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As 5 capas mais bonitas da editora DarkSide

Faltou energia. Uma noite sem luz, celulares ou internet. Como distração apenas uma história horripilante contada por um parente que já viveu muita coisa e conhece bem os seus medos. Esse é o segredo da editora DarkSide: fazer você reviver momentos de assombro que já não são mais tão comuns como eram antes.

Ok, ok. Tem mais alguns segredinhos aí. Sendo o mais evidente deles a preocupação e o capricho da editora com a estética de suas publicações. Os caras são FO-DAS e entregam edições com capas absurdamente maravilhosas!

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Foi difícil, mas destacamos aqui as cinco capas mais bonitas da DarkSide:

 

1 – A MENINA SUBMERSA. MEMÓRIAS.

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2 – ONDE CANTAM OS PÁSSAROS

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3 – SERIAL KILLERS. ANATOMIA DO MAL

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4 – MENINA MÁ

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5 – O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA + EVIL DEAD – CAIXA TERROR VHS

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E você? Concorda com essa lista? Esquecemos algum título da editora que também tem uma capa arrasadora? Conta pra gente!

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Resenha: Nany People – Ser Mulher Não É Para Qualquer Um

Eu sempre gostei da Nany People: uma personagem curiosa, alegre e com muita bagagem, que constantemente faz aparições na TV, boates e nos teatros pelo Brasil. E a simpatia vai além disso, só quem é da comunidade LGBT sabe da importância das drags na luta pelos direitos humanitários igualitários. Enquanto alguns de nós fazem uma ou outra passeata por aí, elas vestem a causa, como um acessório fixo, um corselet apertado, mas necessário.

Esses são alguns dos motivos que já fazem a biografia da Nany, intitulada “Ser Mulher Não É Para Qualquer Um”, publicada pela editora Planeta e escrita pelo Flávio Queiroz, ser uma opção interessante de leitura para 2016.  Mas te garanto que tem muito mais.

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Vamos à sinopse… “Ser mulher não é para qualquer um” narra a trajetória pessoal de Nany People que, como ela mesma diz, nunca saiu na Playboy, mas vive no imaginário das pessoas. Chegou a São Paulo aos 20 anos sem muitos recursos, mas com muita determinação. Dos shows que fazia como drag queen em casas de espetáculo, passando pelo teatro e por rádios, logo alçou voo para a televisão, conquistando de vez o Brasil. Assinou uma coluna na G Magazine por quase dez anos, fez programas de rádio na Jovem Pan e na 89 FM, trabalhou como repórter nos programas de Goulart de Andrade, Amaury Júnior e Hebe Camargo. Sua veia cômica a levou para o banco do programa “A praça é nossa”, de Carlos Alberto de Nóbrega.

Hoje Nany atua principalmente no teatro e na televisão. Mesmo passando por inúmeros obstáculos na vida, Nany nunca deixou de fazer piada. Essa marca registrada acaba sendo sua maneira particular de celebrar a vida. Mais do que experiências, Nany compartilha com os leitores detalhes comoventes de sua história. Ser mulher definitivamente não é para qualquer um.

Bacana, não? Uma das principais vantagens do livro é a intimidade evidente entre Nany e Flávio no momento de nos contar a trajetória da atriz. Ela segue com o relato e ele vai bordando as palavras. É tão mágico que, mesmo escrito por outra pessoa, dá para escutar a voz alta e imponente da humorista durante a leitura.

E a magia não para por aí. Na verdade, a odisseia do garoto do interior que se descobriu e construiu seu próprio conto de fadas tem passagens até na Disney (e que passagem emocionante, minha gente). É para soltar as lágrimas e abrir a cabeça, para si mesmo, para o mundo.

Nota: 4/5

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Resenha: Pega lá uma chave de fenda – Ruth Manus

Ruth Manus escreve para o Estadão, toda quarta-feira algum texto delicioso surge na sua coluna Vida & Estilo. Pela editora Benvirá, recentemente ela publicou o livro de textos inéditos chamado Pega lá uma chave de fenda (e outras divagações sobre o amor).

Resenha: Pega lá uma chave de fenda - Ruth Manus.

Tem amor para gatinhos também.

A obra curta é uma coleção de contos, crônicas e poesias divididas em seções rápidas onde a autora mostra as várias facetas do amor sob uma perspectiva positivista e leve.

Um exemplo claro é o poema “Os meses” onde o texto simples toca o coração de qualquer leitor que já se apaixonou: “Morri de medo./Guardei segredo./E chorei, às vezes./Tive medo dos meses./Eu me culpei./Surtei.”

Ruth Manus homenageia o amor gay, o amor de família, de cônjuges e amigos. É uma mulher para frente e seus textos refletem sua alma livre. As 136 páginas acabam em uma sentada, mas deixam um gostinho de felicidade e de quero mais.

Se a Martha Medeiros e Fabrício Carpinejar literários tivessem uma filha, essa seria Ruth Manus.

Nota: 4/5.

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