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Resenha do livro: A Vida Invisível De Eurídice Gusmão – Martha Batalha

O Facebook e suas surpresas: conheci o livro A Vida Invisível De Eurídice Gusmão por meio de uma postagem feita pela talentosa blogueira e escritora Ruth Manus em sua fanpage. Sem dizer o título, ela descreveu a sensação incômoda, bem parecida com uma ressaca, de acabar um livro que você estava amando.

Resenha do livro- A Vida Invisível De Eurídice Gusmão - Martha Batalha

Logo, como fã dos textos da autora, que também é professora de direito, corri para os comentários para saber de qual obra ela se referia. Descobri. E não deu outra. Dei um jeitinho de ler o mais rápido possível.

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Na história somos transportados para um simpático Rio de Janeiro da década de 20. Entre bondinhos e festas burguesas, conhecemos Eurídice e Guida Gusmão, duas irmãs que tiveram seus caminhos separados por conta de escolhas precipitadas. Além do sangue, o que as une são os costumes de uma época que reforçava a superioridade masculina, transformando a ala feminina em coadjuvante de sua própria biografia. Membros invisíveis da sociedade.

E é aí que a autora Martha Batalha acerta: usa várias personagens para representar de forma fiel, com um evidente longo estudo histórico, o que acontecia com essas mulheres que eram orientadas a acreditar que o único futuro possível era ser uma boa esposa.

O livro é impecável. Tem uma escrita poética, sensível e cheia de “brasilidades”. Um nível altíssimo que até então eu raramente tinha visto em uma obra nacional. Parabéns pela publicação, Companhia das Letras. Como diria Elis Regina: Mais do que nunca é preciso cantar o que é nosso. Na literatura? Também!

Nota: 4,5/5

 

 

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Resenha: Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch

“A coisa mais justa no mundo é a morte. Ninguém ainda pode evitá-la. A terra dá abrigo a todos: aos bons, aos maus e aos pecadores.”     

Uma roda gigante amarela e enferrujada na frente de prédios cinzentos e abandonados. Essa imagem é um dos símbolos da cidade fantasma mais famosa do mundo, Pripyat, localizada próxima ao reator nuclear de Tchernóbil (ou Chernobyl), cuja explosão ocorreu trinta anos atrás.

Sempre fui apaixonado por locais abandonados e qualquer um que tenha essa admiração já ouviu falar de Tchernóbil. O desastre nuclear contaminou quase três quartos da Europa e fez com que a Ucrânia chamasse atenção do mundo todo.

Até então, eu não conhecia a Svetlana Aleksiévitcha, ganhadora do Prêmio Nobel da literatura de 2015 e autora do brilhante “Vozes de Tchernóbil”, que chegou recentemente ao Brasil pela Editora Cia das Letras. Mas isso não me impediu de buscar referências e comprar o mais rápido possível o livro. Não deu outra, se tornou uma das minhas leituras Favoritas DA VIDA. São 383 tocantes páginas de histórias reais, muito bem narradas.

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A escrita é poética, pesada e melancólica. Os relatos da autora foram colhidos durante vários anos e tratam de todos aqueles que tiveram suas vidas tocadas pela radiação. A organização da obra prima não é feita de forma cronológica, mas aproveita para falar da queda do socialismo através da dor daqueles que não entenderam como o Estado poderia cometer erros, mentir ou/e matar seus próprios filhos.

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“…compreendi que na vida as coisas mais terríveis ocorrem em silêncio e de forma natural.” (Vozes de Tchernóbil)

Alguns críticos dizem que Aleksiévitch não faz literatura e sim documentos. Não importa os rótulos, Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear, é uma aula sobre perda, morte e a busca da identidade.

Se estiver interessado em conhecer o local, pode comprar sua viagem para Pripyat aqui, caso queira conhecer as vozes de uma guerra invisível basta confiar na minha opinião.

Nota: 5/5

 

 

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